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Catarina Morais
22 de jun. de 2022
In Paleontologia
Claro, muito do que se vê por aí é feito por especulação, mas é possível sim descobrir a cor de um dinossauro! Como já se sabe, alguns dinossauros tinham penas. E, ao estudar uma dessas espécies, o terópode Anchiornis huxleyi, encontrado em depósitos fossilíferos da província de Liaoning, na China, uma equipe de paleontólogos, liderada pelo pesquisador Jakob Vinther, encontrou uma maneira de inferir o padrão completo de coloração da plumagem desse indivíduo. Mas primeiro, como saber a cor das penas? Em animais, a pigmentação se dá por células secretoras de pigmento, chamadas melanóforos, esses pigmentos são encapsulados numa organela chamada melanossoma. Então, caso esses melanossomas estejam bem preservados no fóssil, essas estruturas podem ser analisadas. Elas são comparadas com melanossomas de outras espécies para que sejam descobertas as cores do pigmento correspondente àquele melanossoma. Diferentes cores pertencem a melanossomas com propriedades diferentes, características como densidade e proporção distinguem as pigmentações umas das outras. Por exemplo, no geral, os que produzem pigmentos pretos ou cinzas são longos e estreitos, enquanto os que produzem pigmentos marrons ou vermelhos são curtos e largos. Nesse caso, o espécime coletado estava bem completo, e todas as estruturas plumadas, desde o crânio aos membros anteriores e posteriores possuíam melanossomos preservados. Dessa forma, foi possível traçar todo seu padrão de coloração. Após comparar todas as amostras coletadas do fóssil com amostras de pássaros existentes foi possível chegar a coloração observada na paleoarte. A maior parte do corpo era coberta por melanossomos de coloração cinza e preta, na cabeça foram observadas manchas avermelhadas, penas acinzentadas alongadas na frente e nas laterais da crista parecem enquadrar uma coroa traseira mais longa e ruiva. Por fim, algumas áreas com pouca densidade de melanossomos foram consideradas despigmentadas. O padrão de coloração do nosso terópode do final do cretáceo é muito similar ao de alguns pássaros atuais, como as galinhas hamburguesas. Já havia sido observado anteriormente diferenças entre regiões claras e escuras em plumagem de dinossauros, e agora foi possível observar um padrão bem mais complexo. Além disso, as penas do Anchiornis huxleyi são todas relativamente similares, o que pode significar que a variação na coloração das penas precedeu a variação de formas delas. Texto de divulgação científico baseado em: Li, Quanguo, et al. Plumage Color Patterns of an Extinct Dinosaur. Science, vol. 327, n. 5971, 2010, pp. 1369–72. JSTOR. Disponível em: http://www.jstor.org/stable/40544615. Acesso em: 22 Jun. 2022.
Você sabia que é possível descobrir qual cor tinham os dinossauros? 
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Catarina Morais
20 de ago. de 2021
In Meio Ambiente
Autores: Catarina Morais, Ellen Alves Rodrigues, Isabela Lima de Miranda, Martha Magalhães e Marina Fonseca. Você sabe o que é um recife de coral? O Brasil é famoso pelas riquezas de espécies presentes em suas florestas tropicais, mas você sabia que a nossa costa abriga também a maior biodiversidade marinha de todo o Oceano Atlântico Sul e que nela estão localizados os únicos recifes de corais de águas rasas dessa região? Recifes de corais são estruturas ecológicas complexas, construídas por interações entre animais, vegetais marinhos e algas. Além disso, eles recebem esse nome por serem predominantemente criados por comunidades de animais cnidários, chamados de corais. Apesar da maior parte da sua estrutura básica ser formada por esqueletos calcários, o recife de coral necessita da ação conjunta de diversos seres, formando uma associação complexa que desencadeia diversos eventos em sucessão, resultando na sua conformação característica. Os corais recifais precisam de condições específicas para serem formados, como temperatura e turbidez ideal da água, por isso são encontrados em regiões de mares rasos e tropicais. Eles possuem grande importância biológica por serem considerados o ecossistema marinho de maior diversidade, garantindo condições e recursos necessários para muitas espécies. Contudo, mesmo possuindo grande relevância ambiental, eles estão desaparecendo ao longo do tempo, principalmente por conta do aquecimento global e das atividades pesqueiras irregulares. No nosso território, ao longo da costa brasileira são encontrados os únicos recifes de coral de águas rasas do Atlântico Sul. Além disso, metade das espécies de corais que vivem e constroem esses recifes só existem no ecossistema marinho brasileiro, como é o caso do coral-cérebro (Mussismilia braziliensis). Visando a proteção desse importante ambiente, foi criado em 1983 o Primeiro Parque Nacional Marinho do Brasil, uma unidade de conservação que ajuda a proteger uma região conhecida como Banco dos Abrolhos. Ele é um alargamento da plataforma continental do Brasil e possui uma área de 42.000 km² que se estende desde o Norte do Espírito Santo ao Extremo Sul da Bahia. Na sua parte norte se encontra um complexo recifal composto por diversos ecossistemas marinhos e costeiros, conhecido por abrigar a maior biodiversidade marinha do Atlântico Sul. Nele, existem diversas relações ecológicas, incluindo a importante interação entre o peixe herbívoro Budião-Azul, as algas e o recife de coral, que vem sendo ameaçada pela ação de sobrepesca nesta região. Parque Nacional Marinho dos Abrolhos. Foto: Roberto Costa Pinto Mas o que é uma interação ecológica? Como nenhum organismo encontra-se sozinho em uma determinada área e tempo, as populações que co-ocorrem em determinado habitat convivem e interagem entre si; essa interação é denominada interação ecológica. Quando escutamos essa expressão, logo pensamos em um ambiente intocado, onde as espécies convivem amigavelmente em equilíbrio. Porém, essa visão não está totalmente correta; o chamado “equilíbrio ecológico” é um processo altamente dinâmico, em que os organismos de uma comunidade interagem uns com os outros de tal forma que todas as interações ecológicas, sejam elas positivas, negativas ou neutras, se tornam muito importantes para a sobrevivência e regulação dessas populações. Ou seja, mesmo as relações classificadas como negativas são benéficas para a comunidade e muito importantes para o funcionamento do ecossistema; e ações antrópicas que afetam essas relações ecológicas podem causar enormes impactos nos mesmos. Esquema explicativo. Imagem: Autoria própria Logo, se considerarmos o grande número de espécies presentes no complexo recifal de Abrolhos, vamos nos dar conta de que há na verdade um número enorme de interações coexistindo, que podem ser contexto-dependentes ou não, e são elas que mantêm o funcionamento dessas comunidades. Por meio do entendimento e estudo dessas interações podemos compreender os impactos ambientais e os distúrbios ocasionados às populações, às comunidades e ao ecossistema pela ação da pesca nos recifes de corais brasileiros. Como exemplo do exposto acima, podemos citar a relação ecológica entre consumidor-recurso, denominada herbivoria. Essa interação está presente em diferentes habitats, afetando a cadeia trófica e o fluxo de energia em uma comunidade. Em ambientes recifais também é possível ver esse tipo de relação ecológica, como observado entre o já citado budião-azul e as microalgas bentônicas. O budião, por ser herbívoro, exerce um importante papel para o controle do crescimento das algas no ambiente, impedindo o estabelecimento exacerbado desses organismos, mediando assim, a sua competição com os corais. Além disso, o budião-azul possui um papel importante na sucessão dos recifes, pois quando se alimenta, suas mordidas removem tanto as algas quanto o substrato, fornecendo espaços para a fixação de novos organismos. Desse modo, a relação peixe-alga torna-se importante para manter a estabilidade entre as populações que vivem nos recifes de corais. Peixe Budião-Azul. Foto: Projeto Budiões Entretanto, o equilíbrio dessas relações tem sido afetado devido às atividades antrópicas no ambiente, principalmente a sobrepesca (ROSS et al., 2020). Com as retiradas em massas de peixes herbívoros do mar, a herbivoria fica comprometida. Como resultado, há um desequilíbrio na cadeia trófica, afetando, dessa forma, a competição entre os organismos, levando ao aumento das populações de algas no local e a morte dos corais. Assim, esses processos de degradação dos corais estão comprometendo a capacidade produtiva e biodiversidade desses ecossistemas, e consequentemente, a garantia da seguridade alimentar e o bem estar social das populações que convivem e/ou dependem dos recifes. Nesse sentido, podemos perceber a importância de alinhar nossas atividades econômicas (como a pesca) e o crescimento populacional a um desenvolvimento sustentável, zelando pela reestruturação dos ecossistemas e sua biodiversidade. Sendo assim, para que possamos proteger os seres e suas relações ecológicas, primeiramente devemos compreendê-las; por isso o estudo ecológico tem papel importante quando buscamos um desenvolvimento sustentável. Através do entendimento das espécies e suas interações, o estudo ecológico permite o fomento de planos de preservação e de manejo, de legislação e fiscalização efetivas, contribuindo, assim, para a preservação ambiental e atenuação do impacto humano na natureza. Um método que pode ser adotado a partir de estudos ecol