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João Pedro Furtado
21 de fev. de 2022
In Meio Ambiente
Bruna Macedo lima Diego Crimi de Castro Isadora Nogueira de Abreu João Pedro Furtado Pereira Luíza de Souza Teixeira Roberta Verônica Palhares 1. Introdução Collony Colapse Disorder (CCD) ou Síndrome do Desaparecimento das Abelhas é o nome do importante fenômeno que vem causando preocupação na comunidade científica. Relatado pela primeira vez em larga escala nos Estados Unidos, o distúrbio hoje atinge abelhas do mundo todo, incluindo o Brasil. Ironicamente, a ação antrópica visando o sucesso do plantio é o motivo dessa escassez: o uso de agrotóxicos, especialmente neonicotinóides, e pesticidas tem impedido o retorno de abelhas operárias a colmeia, deixando-as abandonadas ainda que cheias de larvas e mel. A síndrome, além de prejudicar a integridade dessa espécie de Hymenoptera e de diversas outras participantes de sua interação mutualística, afeta diretamente o ser humano, visto que a polinização é responsável por grande parte da prosperidade de colheitas e variabilidade genética de plantas. Entretanto, antes de discutir a fundo a problemática da escassez de abelhas, é necessário entender o ecosserviço prestado por elas: a polinização. 2. A polinização Na ecologia, a polinização é enquadrada como uma interação trófica positiva de caráter mutualístico, essencial para a perpetuação de espécies. Esse serviço ecossistêmico é prestado gratuitamente por organismos, em especial as abelhas, e traz grandes benefícios aos indivíduos envolvidos. Em um simples ato corriqueiro de busca por néctar, o agente polinizador entra em contato com o pólen presente na estrutura reprodutiva masculina da planta, a antera, e é capaz de transferi-lo para a estrutura reprodutiva feminina de outra planta, o estigma. A polinização, contudo, não é um serviço prestado exclusivamente por animais: quando ausente de um vetor de pólen, característico da polinização biótica, é chamada de abiótica. Por não ser um serviço direcionado como o primeiro caso, a polinização abiótica não demonstra muitas chances de sucesso, mas exemplos desse caso incluem a anemofilia, polinização pelo vento, e a hidrofilia, polinização pela água. 2.1. Como insetos “sabem” polinizar? O processo de polinização como compreendido atualmente surgiu através de um longo processo evolutivo. A polinização biótica teve início após o período do Cretáceo, com o surgimento de plantas com flores, as Angiospermas. Em Hodiernamente, é possível observar uma discrepância entre flores mais primitivas, marcadas por simetria radial e ausência de fusão de partes, e flores mais adaptadas, com estruturas chamativas e estruturas mais reforçadas para receber organismos polinizadores. Um exemplo desse último caso são os “guias de néctar”, manchas nas flores visíveis apenas sob luz ultravioleta capazes de guiar as abelhas a localização do depósito de néctar. Enquanto as plantas escondem o néctar em estruturas ínferas (abaixo de estruturas reprodutivas) e se adaptam para atrair seu polinizador, com a produção de diferentes pigmentos e odores característicos de uma síndrome floral, os animais se adaptam para melhorar o forrageamento e obtenção das recompensas florais, como o néctar, pólen e óleos específicos. Essa coadaptação constante entre as espécies mutualistas é que permite a perpetuação da interação e evita com que ocorra a superexploração de uma das espécies. Agora que demonstradas as interações tróficas, qual é o problema? 3. Ecosserviços e escassez de abelhas Em primeira análise, é importante definir que serviço ambiental é tudo o que se refere aos benefícios que o ser humano pode obter através dos biomas, florestas, matas, fauna e flora. Em suma, os ecosserviços são referentes aos proveitos retirados direta ou indiretamente da natureza, com a finalidade de preencher as condições de permanência da vida na Terra. A Organização das Nações Unidas (ONU), através da Avaliação Ecossistêmica do Milênio classificou e dividiu os Serviços Ambientais em quatro tipos: · Serviços de provisão: Conjunto de artigos essenciais que são retirados da natureza, como alimentos, água doce, produtos químicos e madeira. · Serviços de regulação: Processos naturais que têm a finalidade de ordenar as condições do meio ambiente. Absorção do gás carbônico, controle climático, polinização e gerenciamento de pragas ou doenças, são exemplos desta regulação. · Serviços culturais: Benefícios referentes a tudo o que não se pode tocar. Como por exemplo a natureza recreativa, educacional, religiosa ou estética. · Serviços de suporte: São fundamentais na manutenção dos demais serviços ecossistêmicos. A ciclagem de nutrientes, formação do solo e dispersão de sementes são exemplos deste tipo de contribuição. Deste modo, é evidente que a preservação dos ecossistemas e a consequente manutenção destes serviços se mostra fundamental à existência humana. Contudo, devido a fatores econômicos, muitas vezes esta conservação não foi considerada atrativa, e, por isso, os benefícios ambientais foram prejudicados. Um exemplo deste prejuízo é a Síndrome do Desaparecimento das Abelhas, citada anteriormente no artigo. Mas, qual seria a contribuição destes animais invertebrados na prestação de serviços à natureza? As abelhas são consideradas as principais polinizadoras em ambientes naturais e agrícolas, e desemprenham um papel importante na manutenção da biodiversidade, pois a polinização é fundamental para a sobrevivência de animais e plantas, além da produção de alimentos no meio rural. Existe uma teoria amplamente aceita, em que as abelhas evoluíram juntamente com as plantas providas de flores. Por consequência, os indivíduos envolvidos neste processo de evolução desenvolveram especializações em conjunto, referentes ao processo de polinização. Desta forma, ao voarem de flor em flor, os insetos supracitados prestam serviços às plantas, contribuindo no processo de dispersão e fertilização cruzada. A polinização, como dito anteriormente, é classificada como um serviço regulatório, ou seja, é responsável por ordenar as condições ambientais. Este processo é responsável pela produção de alimentos, visto que plantas bem polinizadas produzem frutos de melhor qualidade, maiores peso e número de sementes. Além disso, é estimado que cerca de 90% das árvores tropicais necessitam de polinizadores. Adicionalmente, a produção de biocombustíveis e frutos base da cadeia alimentar de diversos animais são diretamente dependentes dos serviços prestados pelas abelhas, corroborando a afirmação da importância destes indivíduos para o equilíbrio do ecossistema. 3.1.Contribuição das abelhas na agricultura Um estudo divulgado pelo Journal of Economy Entomology ressaltou a dependência das culturas agrícolas por polinização animal, onde segundo os dados publicados, as abelhas são responsáveis pela polinização de 42% das 57 espécies vegetais mais plantadas no mundo. No Brasil, esta relação de dependência se mostra ainda maior: mais de 60% das plantas cultivadas para alimentação, produção de biodiesel e criação de animais dependem da interação com o polinizador. Em 2018, ficou estimado que os serviços ecossistêmicos prestados pelas abelhas, renderam cerca de 43 milhões de reais na bols