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Ana Rafaela Antunes Porto
22 de fev. de 2022
In Meio Ambiente
Por: Ana Rafaela Antunes Porto Cibelle Giovana Silva Santos Dafne Monteiro de Carvalho Freire Isabela Borges Hubner Jéssica Vitória Pereira de Carvalho Raffaela Lucchesi Duarte Espécies exóticas O que é uma espécie exótica? São espécies de plantas, animais ou outros organismos introduzidos fora da sua área de distribuição natural, que podem ter sido inseridas nessa nova área de forma não intencional, por exemplo através de comércio ou viagens, ou de forma intencional, quando há um propósito econômico, sendo que essa dispersão pode ocorrer tanto no ambiente aquático, por meio de aquicultura irregular e soltura de animais, quanto no ambiente terrestre, pelo uso de plantas ornamentais e animais de estimação. Tal situação tem sido favorecida pela facilidade de transportes na atualidade, na qual há um grande trânsito de mercadorias, pessoas e, consequentemente, de diversas espécies. Além disso, sabe-se que o ingresso dessas espécies pode ocasionar um desequilíbrio ambiental, portanto, tem-se uma ameaça à sobrevivência de espécies nativas, uma vez que há a possibilidade da ausência de predadores naturais, ou a abundância de presas. Diante dessa circunstância, o número de indivíduos da espécie exótica tende a aumentar e provocar ainda mais problemas à diversidade biológica. Assim, as espécies invasoras são consideradas uma das principais causas de extinção no planeta. O Javali (Sus Scrofa) O Javali (Sus scrofa), é uma espécie de porco selvagem originária da Europa, Ásia e África, e chegou ao Brasil, por volta do século XX Foi introduzido no sul do país, mas atualmente, pode ser identificado em diversos municípios brasileiros, principalmente, nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste. A sua introdução ocorreu de forma intencional e esses animais eram usados para criação e caça. A problemática dessa espécie está nos danos causados ao meio ambiente, que podem ser vários, como danos às plantas nativas, alteração dos solos e, consequentemente, aumento da erosão, impactos na fauna nativa, etc. Além dos prejuízos à fauna e à flora, podem provocar complicações no sistema econômico, tais como prejuízos na agricultura, ameaça sanitária a criação de animais, visto que os javalis são reservatórios de diversas doenças, por exemplo a febre aftosa e a Doença de Aujeszky. Além disso, é fundamental ressaltar que essa espécie possui uma grande variedade de formas, como Javaporcos, que são provenientes do cruzamento entre um porco-doméstico e um javali, porcos-monteiros, porcos asselvajados etc.. No entanto, é necessário que essas formas não sejam confundidas com as espécies nativas, que são os Catetos e as Queixadas, as quais não podem ser caçadas, pois tem proteção garantida na lei. Controle de animais e estratégias Atualmente, existem diversas estratégias e projetos que visam reduzir os danos causados pelos javalis. Existem projetos, como o Projeto Pró-espécies, que são mais abrangentes e detectam a presença de espécies exóticas invasoras, para prevenir e controlar novas invasões biológicas no país, além de analisarem as probabilidades da introdução de novas espécies exóticas e suas consequências. Além disso, alguns programas podem promover a erradicação de espécies exóticas, ou promover o controle desses animais. Uma das estratégias utilizadas para o controle de Sus scrofa é a caça, a qual foi autorizada no Rio Grande do Sul em 2013, e regulamentada pelo Ibama. Além disso, existem formas de monitoramento de javalis, na qual observa-se os vestígios da presença de javali, ou seja, a observação de áreas com suas pegadas e locais fuçados. Consequentemente, obtêm-se dados que podem facilitar esse controle, como a densidade de indivíduos, isto é, o número de indivíduos por área. Legislação Em 2017, considerando o impacto do javali no Brasil, foi criado o Plano Nacional de Prevenção, Controle e Monitoramento do Javali no Brasil, constituído de 78 ações com o objetivo de estabelecer o que deve ser feito para minimizar os malefícios advindos dessa espécie e refrear a expansão territorial do javali. Esse plano é coordenado pelo Ibama (Instituto Brasileiro do Meio Ambiente e dos Recursos Naturais Renováveis) e pelo Mapa (Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento). Os objetivos específicos do Plano são: fortalecer as normas para que o controle ocorra de forma adequada; conter a expansão geográfica; monitorar as populações de javalis, seus impactos e os resultados das ações de controle; minimizar os impactos da invasão; melhorar a eficácia do controle; fazer com que a população aprenda sobre a espécie, seus impactos e seu controle. Em 2019, a Instrução Normativa Ibama foi alterada e afirma que: o controle da espécie acontecerá de maneira física, ou seja, abatendo e matando os animais, mas quaisquer maus tratos não são permitidos; para o uso de substâncias químicas é necessário pedir autorização; é permitido o uso de armadilhas e jaulas que não matem nem machuque o animal; e a fiscalização em propriedades privadas deve ser feita pelo titular. Contagem de indivíduos em uma espécie A estimativa do número de indivíduos de uma espécie exótica é de suma importância já que, além de trazer dados reais sobre a situação dessa espécie em um território que não é seu por origem, pode também nos dizer o impacto que ela pode causar em uma determinada área, ou quantificar os possíveis danos advindos dessa espécie. Nos estudos da ecologia diversas estratégias e métodos são usados para fazer a contagem de indivíduos em espécies de um determinado local, porque não seria efetivo utilizar o mesmo método de contagem para espécies de plantas e de animais. Isso fica claro quando vemos que de um lado temos indivíduos sésseis, de mobilidade restrita, e do outro indivíduos ativos, ou seja, esses grupos, necessariamente, requerem diferentes estratégias e até mesmo aparelhos ou armadilhas para auxiliar nessa contagem. No enfoque do estudo, para a contagem de javalis (Sus scrofa) no território brasileiro algumas características desse animal devem ser consideradas para uma escolha adequada do método a ser utilizado. As características observadas incluem: tamanho, quando estão com um porte maior ficam mais ativos, sendo estes de hábitos noturnos; diversidade de habitats; comportamento sociável (3 à 5 indivíduos), dentre outros. Levando em consideração todos esses aspectos, dentre os modelos probabilísticos aplicados à ecologia populacional, como o de medição de distância, captura e recaptura, o mais adequado e que proporciona uma melhor predição do número de indivíduos e da distribuição geográfica é o modelo do processo de observação que contém uma descrição probabilística do mecanismo que produz o dado observável, ou seja, nesse caso, já houveram estudos descritos na literatura [ De Oliveira, Carlos Henrique Salvador. Ecologia e manejo de javali (Sus scrofa L.) na América do Sul. Diss.UFRJ, Brasil, 2012.] que fizeram uso de armadilhas fotográficas levando em consideração aspectos morfológicos e morfométricos para a diferenciação com as espécies nativas, o qual foram colocados em pontos estratégicos e seguindo as condições pré-estabelecidas do procedimento com um tempo determinado de intervalo entre as fotos, dentre outros fatores. Desse modo, após as análises conjuntas dos dados fornecidos por todas as armadilhas em diferentes regiões é possível estimar e fazer a contagem de indivíduos de uma espécie, e até mesmo a densidade, que é dada pelo número de indivíduos que foi estimado dividido pela área de abrangência do estudo. Interação entre as espécies nativas com a espécie exótica inserida Competição A competição é gerada pela necessidade de obter algum recurso que se tem em algum ambiente em que o recurso não ocorre em abundância, como água, comida, fêmeas e locais para moradia. A competição pode ocorrer de duas formas: intraespecífica, quando ocorre com indivíduos de uma mesma espécie, e interespecífica, quando ocorre com indivíduos de espécies diferentes. Os javalis se alimentam de uma diversa gama de organismos vertebrados e invertebrados e a forma invasora dessa espécie se alimenta principalmente de insetos, caramujos, minhocas, répteis, anfíbios e aves. A grande problemática é que ao se alimentar desses animais, eles tiram esses recursos alimentares de outros predadores nativos e atrapalham o crescimento dessas espécies. Exemplificando o que foi dito, sua relação com as aves é problemática pois ele destrói seus ninhos e se alimenta de minhocas e pequenos insetos que são os alimentos mais comuns das aves. Outra relação problemática, é a destruição natural que ele causa devido ao pisoteamento de grandes áreas, que é um comportamento natural desse grupo e causa a perda de matéria vegetal que é parte da alimentação de herbívoros. Por fim, existem predadores desse grupo como pumas, linces e cães selvagens, entretanto, como somente esses grupos não são suficientes para controlar a dispersão dessa espécie, a caça é permitida por lei no território brasileiro. Mudança na cadeia alimentar A introdução de novas espécies está ocasionando efeitos diretos e/ou indiretos em diversos sistemas, uma vez que, quando estão estabelecidas em seu novo ambiente, as espécies exóticas podem ser incorporadas à cadeia alimentar local, seja como consumidores ou como presas. Essas espécies podem atuar mudando a disponibilidade das presas locais, se tornando novas presas e modificando, assim, o padrão alimentar dos predadores nativos. Mas também, nas áreas onde são introduzidas, as espécies exóticas podem não encontrar alguns dos inimigos naturais com os quais tinham co-evoluído no local de origem. Essa hipótese de liberação dos inimigos naturais é uma das possíveis explicações do sucesso das espécies exóticas, que podem se tornar espécies invasoras nos novos ambientes. Entretanto, isso não é uma regra e as espécies exóticas podem encontrar novos predadores nas comunidades residentes capazes de reconhecer essas novas espécies como presas e de adaptar as técnicas de predação para explorar um novo recurso alimentar. Consequentemente, espécies nativas que predam intensamente ou que exibem uma preferência alimentar pelas presas exóticas contribuem com a resistência biológica à invasão pela comunidade residente. Todos os ecossistemas são compostos de espécies que desempenham papéis diferentes nas cadeias alimentares. Às vezes, a extinção pode ter um impacto desproporcionalmente grande em um ecossistema. Essas espécies importantes são chamadas de espécies-chave. Muitas vezes, as espécies-chave são predadores que mantêm a estabilidade de todo o ecossistema. Influência gerada no meio ambiente em detrimento ao crescimento de uma espécie que não pertence aquele tipo de ambiente Áreas susceptíveis à invasão biológica Da mesma forma que existem espécies com maior potencial invasivo, as características do ambiente ou habitat onde uma espécie é introduzida também podem contribuir para o sucesso de sua invasão. Os ambientes mais propensos à invasão são as áreas fragmentadas, com baixa diversidade de espécies, alteradas pela ação antrópica e com ausência de inimigos naturais. Enquanto isso, os ambientes com elevada diversidade, como as florestas primárias, são as mais resistentes a uma invasão. As áreas alteradas antropicamente tendem a ser invadidas com mais rapidez em relação aos ambientes íntegros, pois estes locais apresentam funções ecológicas ainda não supridas, o que passa a ser feito por espécies exóticas. Assim, os nichos ecológicos vagos em uma comunidade facilitam o estabelecimento de espécies exóticas. A introdução de espécies, além de sua área de distribuição natural, é uma das principais mudanças globais causadas pelo homem nos últimos tempos. Qualquer espécie pode ser introduzida em um novo ambiente. Entretanto, somente algumas conseguem se estabelecer e aumentar taxa de reprodução e dispersão, alcançando o status de invasora, quando podem substituir espécies nativas, em um processo conhecido como invasão biológica. Quando uma espécie é introduzida em um novo ambiente, inicia-se o primeiro passo da invasão biológica, que consiste em ultrapassar as barreiras ambientais impostas pelo novo ambiente. Ao superar estas barreiras, a espécie torna-se estabelecida e é capaz de gerar descendentes férteis, o que garantirá sua regeneração no local e fará com que sua população torne-se estabelecida. Desse modo, os indivíduos poderão dispersar-se para além do local de introdução original, ocupando novas áreas, iniciando o processo de invasão biológica. Diversas características abióticas, como o grau de perturbação do ecossistema receptor ou mesmo bióticas como a ausência de predadores, parasitas e competidores naturais na comunidade receptora estão relacionadas com o sucesso de uma invasão biológica. No caso do javali (Sus scrofa), um onívoro muito adaptável e com alta taxa de reprodução, sua espécie consegue se adaptar rapidamente ao ambiente introduzido, perpetuando como espécies invasoras. Os impactos causados pela espécie no meio natural afetam diretamente tanto a fauna como a flora. O javali desloca populações nativas de porcos do mato/catetos e, por serem mais agressivos, competem por alimento, causando a degradação de florestas. Em médio ou longo prazo os impactos são sempre crescentes, pois a tendência é de aumento populacional em detrimento das espécies nativas. Além disso, o javali tornou-se um problema para agricultores e têm trazido prejuízos econômicos às lavouras. Nesse sentido, convém o controle dessa espécie para minimizar os impactos ambientais e fazer com que