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Quais as consequências das alterações climáticas no Brasil? Devemos nos preocupar!

Atualizado: 10 de out. de 2022

A influência do homem no planeta Terra, nos últimos séculos, tornou-se muito significativa. Entretanto, muitas problemáticas surgiram em decorrência do uso inadequado de recursos naturais, emissão de gases poluentes e demais ações que podem causar consequências devastadoras, como as mudanças climáticas. Confira neste artigo as causas responsáveis pelas alterações climáticas e suas consequências no Brasil.

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Quais as causas das alterações climáticas?


Não é de hoje que o planeta Terra está sofrendo com as consequências promovidas pelas alterações climáticas. A ocorrência desse processo, principalmente no que concerne ao aquecimento global induzido pela ação humana, foi alertada pela primeira vez na década de 1950.


Já na década de 1990, foram desenvolvidos modelos que permitiram, de um lado, explicar a variabilidade de clima ocorrida ao longo do século e, por outro lado, avaliar a contribuição de componentes naturais (vulcanismo, alterações da órbita da Terra e explosões solares, por exemplo) e antropogênicos (emissão de gases do efeito estufa, desmatamento e queimadas, destruição de ecossistemas, etc.) sobre estas variações.


Vejamos algumas consequências causadas pelas alterações climáticas nos anos 2000, que fizeram parte da história:


Onda de calor na Europa (2003)


Segundo relato da espanhola María Neira, pesquisadora do Departamento de Saúde Pública e Meio Ambiente da OMS, em Genebra, publicado pelo El País, cerca de 70 mil pessoas morreram devido à onda de calor, fruto das alterações climáticas.


A pesquisadora expõe: “O calor tem um impacto direto nas doenças respiratórias e cardiovasculares, especialmente em populações de mais risco, como idosos e crianças. [...] também têm impacto nas doenças infecciosas. Por exemplo, a dengue, que é muito sensível ao clima, teve um aumento de incidência em muitas áreas porque o aquecimento favorece a propagação do vetor (o mosquito transmissor).”.



Furacão Catarina (2004)

Este foi o primeiro furacão que atingiu a costa do Atlântico Sul. Aqui no Brasil, esse furacão causou muitos estragos na região sul do estado de Santa Catarina: 11 pessoas tiveram suas vidas ceifadas, 27,5 mil desalojados, quase 36 mil casas danificadas, 518 feridos e 115 árvores foram arrancadas pela raiz devido à força dos ventos.



Furacão Katrina (2005)


Esse imenso furacão ocorreu no ano de 2005, e foi um dos mais avassaladores da história dos Estados Unidos da América, e destruiu grande parte da região metropolitana de Nova Orleans (EUA). Os ventos alcançaram a velocidade de 2.080km/h, e mais de mil pessoas morreram nesse incidente.


O furacão começou como uma tempestade tropical que se formou sobre as Bahamas. E, após cruzar o sul da Flórida (EUA) como categoria 1 na escala Saffir-Simpson de furacões, ganhou força no Golfo do México e se transformou em categoria 5, a mais alta.

Seca no Oeste da Amazônia (2005)

Em 2005, uma grande parte da Bacia Amazônica ocidental registrou a seca mais grave dos últimos cem anos. As razões que explicam o regime de precipitação dessa Bacia, além de sua localização geográfica e extensão territorial é a combinação de fenômenos atmosféricos que podem sofrer influência das alterações climáticas, como:


  • Zona de Convergência Intertropical (ZCIT);


  • Processos de convecção organizada, associados à Zona de Convergência do Atlântico Sul (ZCAS);


  • Eventos de Linhas de Instabilidade (LI);


  • Aquecimento ou resfriamento anômalo da temperatura da superfície do mar no Pacífico tropical, fenômenos conhecidos respectivamente como El Niño e La Niña.


Entretanto, estudos afirmam que essa problemática se deu devido à ocorrência do fenômeno El Niño a partir de outubro de 2004, associado ao dipolo positivo (um tipo de alteração climática) no Atlântico tropical em 2000 e, como consequência, houve a diminuição da precipitação na parte norte, sul e oeste da bacia Amazônica.

Alterações climáticas no Brasil e no mundo

No Brasil, possuímos o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e, juntamente com o seu Centro de Previsão de Tempo e Estudos Climáticos (CPTEC), é possível fazer o monitoramento e desenvolvimento de Modelos Globais Atmosféricos e Modelos Globais Acoplados Oceano-Atmosfera, para a previsão de alterações climáticas.

Esses modelos são sensíveis às alterações climáticas, como é o caso dos cenários de emissão de gases poluentes e a qualidade e cobertura de dados meteorológicos. Um dos resultados do modelo de avaliação de anomalias, em 2005, mostraram um aumento de temperatura acima de 2ºC nas altas latitudes do hemisfério norte e de 1ºC próximo da linha do equador.

Dessa maneira, torna-se evidente que, em 2005, o planeta já estava sofrendo muitas consequências provenientes das alterações climáticas, sobretudo em decorrência de causas antrópicas, como mencionado no tópico anterior.

Dados recentes do relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC) mostraram que Influência humana é responsável por alta de 1,07°C na temperatura global, e que a temperatura poderá subir para 1,5°C a 2°C ainda neste século, se não houver grande redução nas emissões de gases de efeito estufa.

A Amazônia, por exemplo, vem exercendo um papel de tamponamento (interrupção) de variações de temperatura e alterações climáticas, devido a grande quantidade de água circulante e da evapotranspiração. Caso a sua cobertura vegetal nativa seja diminuída, isso pode produzir efeitos de difícil previsão sobre todo o planeta, já que haveria um excedente de água e calor a ser redistribuído por toda a Terra.


Consequências das alterações climáticas no Brasil


No território brasileiro, podemos destacar as seguintes consequências das alterações climáticas, destacadas por pesquisadores:


  • Eventos El Nino-Oscilação Sul (ENSO) mais intensos, ocasionando secas no Norte e Nordeste e enchentes no Sul e Sudeste;


  • Diminuição de chuvas na região Nordeste;


  • Aumento de vazões de rios na região Sul;


  • Alteração significativa de ecossistemas como o mangue, Pantanal e Floresta Amazônica.


Para maiores esclarecimentos:

  • O processo de aquecimento global pode ser assumido como uma acumulação de calor, não só pela atmosfera, mas também na água e solo. Essa energia pode ser absorvida e dissipada de forma rápida e concentrada, gerando eventos extremos. Essa é uma possível explicação para o aumento da frequência e intensidade de furacões, sobretudo no hemisfério norte.


  • Todas essas alterações climáticas podem causar efeitos negativos sobre a biodiversidade de plantas e animais em todo o planeta, assim como a própria expectativa de vida dos seres humanos!


Neve no Brasil, enchentes e calor pelo mundo


Durante o ano de 2021, muitas alterações climáticas tomaram conta do planeta. Na Serra Gaúcha e Catarinense no Brasil, por exemplo, as temperaturas mínimas chegaram a -10ºC, com sensação térmica de até -25ºC; as capitais Curitiba (PR), Florianópolis (SC), Porto Alegre (RS), Campo Grande (MS), São Paulo (SP), Belo Horizonte (MG) e Vitória (ES) registraram as menores temperaturas do ano.


Enquanto isso, em algumas cidades do Canadá, os termômetros mediram 49,6ºC no fim de junho, superando em 4,6ºC a temperatura mais alta registrada no país até o momento. Quase simultaneamente, chuvas acima dos padrões inundaram cidades na Alemanha e na China. Os eventos extremos nos três países provocaram centenas de mortes.


Mas, o que de fato está acontecendo para que esses eventos extremos ocorram?


A resposta está na queima de combustíveis fósseis (como o petróleo e o carvão) e o desmatamento, ampliando a quantidade de gases causadores do efeito estufa na atmosfera.


Como esses gases dificultam a dispersão do calor dos raios solares que atingem o planeta, a temperatura no planeta tende a aumentar. Entretanto, temperaturas mais altas, por sua vez, aceleram a evaporação da água, o que facilita a ocorrência de temporais.


Isso não quer dizer que não teremos mais eventos de frio extremo, embora esteja acontecendo uma “inversão” nas temperaturas do planeta Terra, devido às alterações climáticas.


O climatologista Francisco Eliseu Aquino, professor da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), afirma que na região Sul, ao longo do ano, massas de ar circulam em sentido horário: o sul do Brasil envia à Antártida massas de ar quente e recebe dela massas de ar frio.


A velocidade dessa circulação se acelera conforme as alterações climáticas elevam a temperatura no Brasil no inverno, época do ano em que a Antártida está bem gelada por não receber qualquer insolação. Além disso, o calor acima do habitual no sul do Brasil "perturba" o sistema de trocas, induzindo o ar quente a entrar na Antártida e abrindo o caminho para a chegada de ar frio.


Em outras palavras, o aquecimento da temperatura média do planeta acelera a circulação de ar entre a América do Sul e a Antártida. Por isso, a região Sul e Sudeste do Brasil está sofrendo tanto com o frio.



Para você, professor!


Você pode abordar este conteúdo durante suas aulas referentes aos climas do Brasil e massas de ar, destruição de biomas e ecossistemas, desastres naturais e alterações climáticas (abordagem interdisciplinar / geografia e biologia).

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E, não acabou por aí! Fique por dentro dos seguintes noticiários da British Broadcasting Corporation (BBC) a respeito das alterações climáticas no Brasil e no mundo:



Escrito por: Manoel Celestino de Pontes Filho (@manoelpontes_)

Revisado por: Juliana Cuoco Badari (@jujubadari)


Como citar este texto:


PONTES FILHO, M. C.; BADARI, J. C. Quais as consequências das alterações climáticas no Brasil? Devemos nos preocupar!. Potencial Biótico. Disponível em: <https://www.potencialbiotico.com/post/alteracoesclimaticas>. Acesso em:


Referências bibliográficas:


BARCELLOS, C. et al. Mudanças climáticas e ambientais e as doenças infecciosas: cenários e incertezas para o Brasil. Epidemiologia e Serviços de Saúde, v. 18, n. 3, p. 285-304, 2009.


MARENGO, J.A. O futuro clima do Brasil. Revista USP, n. 103, p. 25-32, 2014.


SERRÃO, E.A.O.; SANTOS, C.A.; LIMA, A.M.M. Avaliação da seca de 2005 na Amazônia: uma análise da calha do rio Solimões. Estação Científica (UNIFAP), v. 4, n. 2, p. 99-109, 2015.



 

Manoel Pontes

Redator

Graduado em Ciências Biológicas (licenciatura) pela UFPB. Mestrando em Ecologia e Monitoramento Ambiental (PPGEMA/UFPB). Atua em atividades de ensino e extensão.


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