top of page

O que é febre maculosa? Conheça mais sobre a doença do carrapato

Febre maculosa é uma doença causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, que é introduzida no organismo através da picada de um carrapato infectado. A espécie de carrapato transmissor mais comum é o famoso carrapato-estrela (Amblyomma sculptum), um pequeno artrópode que vive na vegetação ou em meio a pelagem de alguns animais como capivaras e cavalos. A febre maculosa é uma zoonose (doença transmitida de animais para humanos) que pode levar à morte. Leia o texto e saiba mais sobre essa doença!


Quer ir para alguma parte específica deste artigo? Basta clicar em qualquer um dos tópicos:



O que é febre maculosa?


A febre maculosa é uma doença infecciosa transmitida por carrapatos que afeta os seres humanos. É causada pela bactéria Rickettsia rickettsii, que é introduzida no organismo humano através da picada do carrapato infectado. Os carrapatos transmissores mais comuns são os famosos carrapatos-estrela (Amblyomma sculptum).


Uma vez infectado, o paciente pode apresentar uma série de sintomas característicos, sendo os principais sintomas da febre maculosa: febre alta, erupção cutânea, dores de cabeça intensas, dores musculares e articulares, além de fadiga, náuseas e vômitos. A erupção cutânea típica da febre maculosa começa com manchas rosadas ou vermelhas no pulso e tornozelo, e se espalham pelo corpo.


Manifestações e sintomas da febre maculosa. Fonte: Biblioteca Virtual em Saúde/Ministério da Saúde e Fundação Oswaldo Cruz/ESTADÃO.


De acordo com o Ministério da Saúde, de janeiro de 2013 a 14 de junho de 2023, o Brasil registrou mais de 2.059 casos de febre maculosa, sendo 53 casos somente esse ano. Os registros têm preocupado as autoridades, pois já foram contabilizadas 783 mortes pela zoonose (doenças infecciosas transmitidas entre animais e pessoas) nos últimos 10 anos.


O diagnóstico precoce e o tratamento imediato são essenciais para evitar complicações graves. Geralmente, o tratamento envolve o uso de antibióticos, como a doxiciclina, que é eficaz no combate à infecção bacteriana.


Assista o vídeo do TicksMan e saiba sobre a doença do carrapato.

Como se prevenir da doença do carrapato:


A prevenção é o melhor caminho para evitar a doença. Para te ajudar na prevenção, listamos algumas medidas importantes que podem ser tomadas para se prevenir contra essa doença:


1. Evite áreas infestadas por carrapatos: Ao visitar locais onde os carrapatos são comuns, como áreas arborizadas, matas ou gramados, procure permanecer no centro de trilhas ou caminhos e evite o contato direto com arbustos e vegetação alta. Isso reduzirá as chances de entrar em contato com carrapatos.


2. Use roupas adequadas: Ao passar tempo em áreas propensas a carrapatos, é essencial usar roupas de manga longa, calças compridas e sapatos fechados. Além disso, é recomendável usar roupas claras, pois isso facilita a detecção de carrapatos em sua superfície. Colocar as camisas para dentro das calças e as barras das calças cobertas pelas meias também pode ajudar a evitar que os carrapatos entrem por baixo das roupas.


3. Aplique repelentes de insetos: O uso de repelentes de insetos é uma medida eficaz para prevenir a picada de carrapatos. Escolha um repelente que contenha DEET e aplique-o nas áreas expostas da pele, seguindo as instruções do fabricante. Certifique-se de aplicar o repelente também nas roupas, pois isso pode criar uma barreira adicional contra os carrapatos.


Pois bem! Mesmo tomando todas essas medidas, é importante realizar verificações regulares no corpo após estar em áreas propensas a esses ectoparasitas (parasitas que vivem sobre o hospedeiro, na pele ou pelos). Caso encontre um carrapato, remova-o cuidadosamente com uma pinça, segurando-o próximo à pele e, se possível, puxe e gire os artrópodes suavemente para cima, evitando espremê-lo e evitando que seu hipostômio (aparelho bucal), fique na sua pele e cause uma inflamação.


Se surgirem sintomas sugestivos de febre maculosa após uma possível exposição a carrapatos, é fundamental buscar assistência médica imediata para diagnóstico e tratamento adequados.

Os locais públicos ou que podem oferecer algum risco as pessoas que circulam pela região também podem colaborar com a prevenção instalando placas que alertem a população sobre a presença de carrapatos.


Placa instalada em área de risco de contágio de febre maculosa no município de Campinas-SP. Foto: Eduardo Lopes.


Sente que precisa tornar suas aulas mais interessantes, mas não sabe o que fazer nem por onde começar? Acesse aqui os recursos do PB Digital. São vários aplicativos, softwares e sites para a sua aula de Biologia!


Como tratar a doença do carrapato?


O tratamento da febre maculosa geralmente envolve o uso de antibióticos para combater a infecção bacteriana causada pela bactéria R. rickettsii. A doxiciclina é o antibiótico geralmente usado e é administrado por via oral. É essencial iniciar o tratamento o mais rápido possível após a detecção da infecção, para evitar complicações graves.


Além dos antibióticos, outros cuidados de suporte podem ser necessários, dependendo da gravidade da doença. Isso pode incluir medidas para controlar a febre, aliviar dores musculares e articulares, manter a hidratação e garantir repouso adequado. Em casos mais graves, a hospitalização pode ser necessária para monitorar a função dos órgãos e fornecer cuidados intensivos.


É importante lembrar que o tratamento da febre maculosa deve ser supervisionado por um profissional de saúde. O diagnóstico precoce e o tratamento adequado são cruciais para reduzir o risco de complicações e promover uma recuperação completa.


Saiba mais sobre o carrapato estrela


Carrapatos são animais invertebrados, que pertencem ao Filo dos artrópodes e à classe dos Aracnídeos, na qual estão incluídas as aranhas e escorpiões.

Existem mais de 800 espécies descritas ao redor do mundo e 67 delas, ocorrem no Brasil. A principal espécie de carrapato associado à doença em humanos pertence ao gênero Amblyomma. Dentre as espécies mais conhecidas, o carrapato estrela (Amblyomma sculptum), é amplamente encontrado na América do Sul. Tem como seus principais hospedeiros as capivaras, os cavalos e as antas, sendo também capaz de se fixar em humanos.


Macho de carrapato estrela (Amblyomma sculptum). Foto: Divulgação/National Geographic.


Fêmea de Amblyomma sculptum. Foto: Reprodução/Ministério da Saúde.

Esse ectoparasita é conhecido por ser um vetor de diversas doenças, incluindo a febre maculosa. Ao se fixar firmemente na pele de seus hospedeiros para se alimentar de sangue, o carrapato infectado pela bactéria Rickettsia rickettsii, acaba injetando em seu hospedeiro a bactéria.


Os carrapatos são especialmente conhecidos por sua habilidade de se fixar em áreas difíceis de serem detectados, como o couro cabeludo, atrás das orelhas e na região da virilha.


As doenças rickettsiais transmitidas por carrapatos são uma grande preocupação no Brasil, e a região sudeste vem sendo considerada uma área endêmica para a febre maculosa. As áreas antropizadas (área cuja as características originais foram alteradas pelo ser humano) são os principais focos para o surgimento dessa doença em humanos.


Os carrapatos costumam se proliferar com maior intensidade durante os meses mais quentes e são encontrados em áreas arborizadas, matas, pastagens e até mesmo em jardins e parques urbanos. Portanto, é importante fazer verificações minuciosas pelo corpo após estar em áreas propensas a carrapatos, a fim de identificar e remover os carrapatos o mais rápido possível.


50 livros gratuitos estão te esperando para serem baixados. Baixe aqui a

coletânea exclusiva sobre ensino de ciências e biologia. Eles irão contribuir com seu processo formativo como professor. É gratuito!


Para você professor


Para auxiliar você professor a planejar sua aula, damos exemplos de habilidades que podem ser desenvolvidas com seus alunos baseadas na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), a partir do uso deste texto como material de apoio.

Com os objetivos de promover o conhecimento acerca de microrganismos, zoonoses, saúde pública e prevenção, nós indicamos algumas das seguintes habilidades:

Ensino Fundamental

(EF04CI08) Propor, a partir do conhecimento das formas de transmissão de alguns microrganismos (vírus, bactérias e protozoários), atitudes e medidas adequadas para prevenção de doenças a eles associadas.

(EF07CI09) Interpretar as condições de saúde da comunidade, cidade ou estado, com base na análise e comparação de indicadores de saúde (como taxa de mortalidade infantil, cobertura de saneamento básico e incidência de doenças de veiculação hídrica, atmosférica entre outras) e dos resultados de políticas públicas destinadas à saúde.


Ensino Médio

(EM13CNT306) Avaliar os riscos envolvidos em atividades cotidianas, aplicando conhecimentos das Ciências da Natureza, para justificar o uso de equipamentos e recursos, bem como comportamentos de segurança, visando à integridade física, individual e coletiva, e socioambiental, podendo fazer uso de dispositivos e aplicativos digitais que viabilizem a estruturação de simulações de tais riscos.

Nós sugerimos trazer a discussão sobre doenças zoonóticas e de como elas podem estar associadas às mudanças ambientais. Pois como vimos acima, a febre maculosa é uma doença que é “favorecida” pela degradação ambiental, pois…

Deixamos o texto a seguir sobre a relação de doenças e degradação ambiental, publicado no site da Secretaria Estadual de Meio Ambiente, Infraestrutura e Logística de São Paulo:



Você vive o desafio de incluir seu aluno Surdo na sala de aula? Torne suas aulas muito mais acessíveis utilizando nosso E-book: Guia para incluir estudantes com surdez em sala de aula.


Redator: Juliana Cuoco Badari ( @jujubadari )

Revisor: Nicolas Nathan dos Santos



Referências:


de Paula, L.G.F.; Nascimento, R.M.; Franco, A.O.; Szábo, M.P.J.; Labruna, M.B.; Monteiro, C.; Krawczak, F.S. Seasonal dynamics of Amblyomma sculptum: a review. Parasite Vectors, v. 15, n. 193, 2022. doi.org/10.1186/s13071-022-05311-w


Perez, C.A. et al. Protocolo de priorização de áreas para prevenir a ocorrência da febre maculosa. Fealq, Ed. 482, ISBN: 978-65-89722-43-4, 2023.


Onofrio, V.C.; Labruna, M.B.; Pinter, A.; Giacomin, F.G.; Barros-Battesti, D.M. Comentários e chaves para as espécies do gênero Amblyomma. In Carrapatos de importância médico-veterinária da Região Neotropical: Um guia ilustrado para identifcação de espécies; Barros-Battesti, D.M., Arzua, M., Bechara, G.H., Eds.; Vox/Instituto Butantan: São Paulo, Brazil, 2006; p. 53–114.


Ramírez-Hernández, A.; Uchoa, F.; Serpa, M.C.A.; Binder, L.C.; Rodrigues, A.C.; Szabó, M.P.J.; Fogaça, A.; Souza, C.E.; Labruna, M.B. Clinical and Serological Evaluation of Capybaras (Hydrochoerus Hydrochaeris) Successively Exposed to an Amblyomma Sculptum-Derived Strain of Rickettsia Rickettsii. Scientific Reports, v. 10, n. 1, 2020. doi.org/10.1038/s41598-020-61342-2.


Suzin, A.; da Silva, M.X.; Tognolli, M.H.; Vigliotti, A.; Adami, S.F.; Moraes, M.F.D.; Nunes, P.H.; Szabó, M.P.J. Ticks on Humans in an Atlantic Rainforest Preserved Ecosystem in Brazil: Species, Life Stages, Attachment Sites, and Temporal Pattern of Infestation. Ticks and Tick-Borne Diseases, v. 13, n. 1, p. 101862, 2022. doi.org/10.1016/j.ttbdis.2021.101862.



29 visualizações0 comentário

Posts recentes

Ver tudo
bottom of page