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O que é a polinização?

Atualizado: 10 de out. de 2022

A polinização é um processo natural e que traz muitos benefícios, tanto para as angiospermas (plantas que produzem flores) quanto para os animais que se alimentam por meio do néctar dessas flores. Neste artigo você vai descobrir, com mais detalhes, o que é a polinização, como ela ocorre, quais organismos a realizam e suas importâncias.

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A polinização


A polinização é uma etapa fundamental no processo reprodutivo das plantas que, por sua vez, constituem os organismos produtores primários nos ecossistemas terrestres, além de serem responsáveis por muitos dos serviços prestados à natureza, como:



Em suma, a polinização pode ser realizada por plantas dos grupos das Gimnospermas e Angiospermas, ambas produtoras de grãos de pólen, e é responsável por propagar a reprodução dessas plantas; assim, podem dar continuidade a seu ciclo vital com o crescimento e desenvolvimento de novas plantas.


Estrutura dos estróbilos e das flores


Os estróbilos, assim como as flores, são órgãos reprodutivos das plantas, e possuem um papel importante para a polinização.


Nas Gimnospermas, existem dois tipos de estróbilos, um grande e outro pequeno e, como consequência, há dois tipos de esporângios e de esporos. Os estróbilos podem ser de dois tipos:


  • Os estróbilos maiores (femininos), em que cada esporângio, chamado de óvulo produz, por meiose, um megásporo; este, fica retido no esporângio e desenvolve-se no interior do óvulo, originando um gametófito feminino. Nesse gametófito, surgem arquegônios e, no interior de cada um deles, diferencia-se uma oosfera (que é o gameta feminino).


  • Os estróbilos menores (masculinos), em que cada esporângio (também chamado de saco polínico) produz, por meiose, inúmeros micrósporos, que se desenvolvem no interior do saco polínico, originando um gametófito masculino, o grão de pólen.


Já no grupo das Angiospermas, as flores são os órgãos reprodutivos e também são importantíssimas para a polinização. Uma flor possui estruturas como as pétalas (que juntas, formam a corola), geralmente responsáveis pelo vislumbre da flor, mas também há outras estruturas como o cálice, constituído pelas sépalas, além do receptáculo floral que é a estrutura a qual a flor se fixa a planta.


Somado a isso, há as estruturas da flor que promovem a reprodução propriamente dita, ou seja, a polinização, como é o caso do:


  • Androceu (conjunto de estruturas masculinas das flores): constituído pelos estames, que nada mais são que a união do filete e sua extremidade denominada de antera, onde será produzido os grãos de pólen;


  • Gineceu (conjunto de estruturas femininas das flores): constituído pelo pistilo, união do estigma (abertura do estilete), estilete, canal onde está inserido o tubo polínico, que fará com que os grãos de pólen cheguem até o ovário, onde se encontra o óvulo.


As flores podem ser completas ou incompletas. Isso quer dizer que há flores que apresentam os quatro verticilos florais, ou seja, cálice, corola, androceu e gineceu, se tornando uma flor completa. Quando um ou mais desses componentes está ausente, a flor é denominada incompleta. As flores podem ser dioicas, com as estruturas sexuais separados, ou hermafroditas, com ambas estruturas sexuais presentes na flor.


As flores hermafroditas possuem estruturas masculinas e femininas, e pode ocorrer até mesmo a autofecundação durante a polinização.
Flor hermafrodita. Fonte: Infoescola.

Como ocorre a polinização?


A polinização ocorre através do auxílio de diversos mecanismos, seja por fatores bióticos (comunidades vivas de um ecossistema, como os animais) ou abióticos (elementos físicos, químicos e/ou geológicos do ambiente).


No que diz respeito à liberação dos grãos de pólen pelas Gimnospermas, dotadas de duas expansões laterais (aladas), ocorre a partir da ruptura dos sacos polínicos. Geralmente transportados pelo vento, podem atingir os óvulos que se encontram nos estróbilos femininos. Esse processo constitui a polinização.


Cada grão de pólen aderido a uma abertura existente no óvulo, inicia um processo de crescimento culminando na formação do tubo polínico correspondente a um grão de pólen adulto. No interior do tubo polínico, existem dois núcleos gaméticos haploides, mas apenas um dos núcleos gaméticos fecunda a oosfera, gerando o zigoto; este, divide-se por mitose, originando um embrião, que adere ao tecido materno correspondente ao gametófito feminino.


Após a ocorrência da fecundação e da formação do embrião, o óvulo converte-se em semente, que é uma estrutura com três componentes: tegumento, embrião e tecido materno haplóide, ou endosperma primário, por acumular substâncias de reserva que serão utilizadas pelo embrião durante a sua germinação. A imagem abaixo resume todo esse processo:


A polinização também é muito importante para o grupo das Gimnospermas.
Ciclo reprodutivo das Gimnospermas. Fonte: Apoio Escolar 24horas (adaptada).

A dispersão das sementes, pode ocorrer tanto pelo vento, no caso do pinheiro comum, quanto com a ajuda de animais como gralhas-azuis ou esquilos, como acontece com os pinhões do pinheiro-do-paraná, por se alimentarem dos estróbilos.


Em relação às Angiospermas, alguns animais podem se alimentar do néctar da flor (ou de outras estruturas florais), e por isso, “sem querer querendo”, os grãos de pólen se aderem a seu corpo, e ao entrar em contato com outras flores contendo estruturas femininas (neste caso, o pistilo), ocorre a polinização.


Em outras palavras, os grãos de pólen precisam ser transportados das anteras da flor, até o estigma (abertura do pistilo) e entrar em contato com o óvulo para que seja efetivada a polinização. A partir deste momento, o ovário sofrerá uma série de modificações até se tornar um fruto.


Sabendo disso, os grãos de pólen podem ser transportados até o estigma para que ocorra a polinização através dos seguintes processos:


  • Anemofilia: transporte através do vento;

  • Hidrofilia: transporte por meio da água;

  • Entomofilia: os insetos transportam os grãos;

  • Quiropterofilia: os grãos são transportados pelos morcegos;

  • Ornitofilia: as aves transportam grãos de pólen.


O animal que mais se destaca por ser um excelente polinizador é a abelha. Mas, por quê?


As abelhas possuem, ao longo do corpo, a presença de cerdas, nas quais os grãos de pólen se aderem; por serem organismos bem pequenos, facilmente conseguem atingir todas as estruturas da flor.


Além de terem um importante papel para a polinização, ao se alimentarem do néctar floral, esses insetos conjuntamente em suas colmeias, produzem um alimento com alto valor nutricional para os seres humanos: o mel.


Vale salientar que, na ausência de polinizadores, a polinização pode ser realizada de forma manual, pelos humanos, de modo que é colhido os grãos de pólen por meio de algum instrumento e levado ao estigma da flor para que ocorra a polinização. Entretanto, esse método pode custar muito caro, e a saída mais viável é a preservação dos polinizadores.


Assista a esse vídeo, promovido pelo Programa Mundial de Alimentos da Organização das Nações Unidas (ONU), para saber um pouco mais a respeito das abelhas e sua relação com a polinização:



Para que serve a polinização?


Ao longo do texto, já foi mencionado que a polinização é responsável pela reprodução das Gimnospermas (capazes de produzir estróbilos) e das Angiospermas (produtoras de flores e frutos). Logo, isso já é uma grande importância para o serviço ecossistêmico, tendo em vista que as plantas possuem outras importâncias para a natureza.


Outra importância fenomenal é a produção dos frutos; sem a polinização, o óvulo presente na flor com estrutura feminina não é capaz de se desenvolver como um fruto. A partir do fruto, há a produção de sementes, que pode sofrer um outro processo com grande relevância para o meio ambiente, chamado dispersão.


Da mesma forma que o grão de pólen pode ser transportado para ocorrer a polinização, a semente também pode, com o auxílio de animais (sementes eliminadas pelas fezes, por exemplo), vento (sementes aladas – achatadas e com formato de asa) e água, de modo que possa germinar no local mais adequado possível, para que a planta cresça e se desenvolva.


Além disso, a polinização apresenta outros benefícios:


  • Formação de ecossistemas agrícolas: culturas utilizadas na alimentação humana, abrangendo frutos, verduras e sementes;


  • Economia: como a polinização pode auxiliar na agricultura, os produtos podem ser comercializados, gerando renda aos pequenos produtores, assim como para os médios e grandes agricultores também. O produto pode ser comercializado também em supermercados, gerando mais um ciclo de renda.


Ações antrópicas que afetam a polinização


Com os avanços da agricultura, desflorestamento, desenvolvimento urbano e demais atividades antrópicas (aquelas realizadas pelo homem), a biodiversidade se torna cada vez mais ameaçada. Consequentemente, as populações de polinizadores naturais também diminuem, por não encontrarem mais recursos suficientes para se alimentar e se abrigar.


Além disso, há muitas outras práticas que influenciam negativamente a polinização, tais como:


  • Agricultura intensiva: pode estar aliada ao uso de fertilizantes, irrigação e pesticidas extremamente prejudiciais às populações de abelhas e demais animais que auxiliam na polinização, além de muitas vezes ser responsável pela fragmentação e destruição de habitats naturais. Sem a presença de polinizadores, pode causar fenômenos muito prejudiciais, como crises alimentares;


  • Aragem da terra, compactação do solo, remoção de barrancos e troncos: não são só os produtos químicos que prejudicam a nidificação dos organismos. Muitos organismos dependem do solo e da presença de demais constituintes para se abrigarem;


  • Remoção de plantas espontâneas: estas plantas são aquelas que crescem no meio das plantações sem serem cultivadas. Entretanto, muitas dessas plantas produzem flores, logo, também são fundamentais para que ocorra a polinização;


  • Substituição da vegetação natural por monocultura: isso pode provocar uma drástica diminuição na diversidade floral limitando a fonte alimentar dos organismos que promovem a polinização ao longo das estações;


  • Introdução de organismos exóticos: este fator pode afetar direta ou indiretamente as espécies nativas de polinizadores, de modo que pode resultar em competição por alimentos, transmissão de patógenos (doenças) e/ou destruição de seus ninhos;


  • Mudanças climáticas globais: fator crucial para o declínio das populações de polinizadores, tendo em vista que o aumento na liberação dos gases do efeito estufa para o meio ambiente, bem como o desmatamento e as queimadas, provocam variações bruscas na temperatura do ar, precipitação, nebulosidade e ciclos reprodutivos dos polinizadores e plantas nativas.


Dessa maneira, vocês já estão cientes sobre o que é a polinização, como ela ocorre, para que serve e quais ações podem prejudicar esse processo que é tão vantajoso e importante para os seres vivos, sobretudo as plantas, animais e seres humanos.


Acesse o nosso Instagram, e faça uma leitura complementar sobre a polinização:


Escrito por: Manoel Celestino de Pontes Filho (@manoelpontes_)

Revisado por: Mateus Bispo (@mateuwsss)


Como citar este texto:


PONTES FILHO, M. C.; BISPO, M. O que é a polinização?. Potencial Biótico. Disponível em: <https://www.potencialbiotico.com/post/oqueeapolinizacao>. Acesso em: xx/xx/xxxx.



Referências bibliográficas:


BARBOSA, D.B. et al. As abelhas e seu serviço ecossistêmico de polinização. Revista Eletrônica Científica da UERGS, v. 3, n. 4, p. 694-703, 2017.


BOURSCHEIDT, E.M. Percepção de agricultores sobre a importância de polinizadores e do serviço de polinização. 2018. Dissertação de Mestrado. Universidade Federal da Fronteira Sul.


EMBRAPA. Polinização. Acesso: 27/04/2021. Disponível em: <https://www.embrapa.br/meio-norte/polinizacao>.


PERUZZOLO, M.C.; DA CRUZ, B. C. F.; RONQUI, L. Polinização e produtividade do café no Brasil. PUBVET, v. 13, p. 152, 2019.


VINÍCIUS-SILVA, R. et al. Importância das abelhas na polinização de Solanum lycopersicum L. (Solanaceae) em cultivo aberto no Sudeste do Estado de Minas Gerais, Brasil. Hoehnea, v. 44, n. 3, p. 349-360, 2017.



 

Manoel Pontes

Redator

Graduado em Ciências Biológicas (licenciatura) pela UFPB. Mestrando em Ecologia e Monitoramento Ambiental (PPGEMA/UFPB). Atua em atividades de ensino e extensão.


Aqui você encontra mais textos meus:


 

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