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O que é ornitorrinco?

Atualizado: 13 de set. de 2022

Você sabe o que é ornitorrinco? O ornitorrinco é um mamífero ovíparo (põem ovos) e não possui mamilos. São animais nativos da Austrália adaptados para viverem em ambiente terrestre e aquático. Uma peculiaridade interessante deste animal é que os machos apresentam peçonha no período de acasalamento

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O que é ornitorrinco?


Os ornitorrincos, a princípio, parecem uma “mistura” de alguns animais. Eles apresentam traços semelhantes aos castores, em suas caudas, e aos patos em seus pés e bico.

Mas quem são eles, de fato?


Os ornitorrincos são mamíferos, uma das poucas espécies representantes do grupo dos monotremados (mono = única; trema = abertura), seu nome deriva do fato de possuírem apenas uma abertura comum para o sistema reprodutor, digestivo e urinário, chamada cloaca.


Vista dorsal do ornitorrinco. (Fonte: Brisbane City Council)


São classificados como mamíferos por apresentarem pelos e glândulas mamárias, entretanto, são os únicos mamíferos, juntamente com as equidnas, ovíparos (animais que botam ovos).


Onde vivem?


São animais endêmicos (encontrados em regiões específicas), como a Austrália, por exemplo, habitam ao longo das margens do continente Australiano Oriental, na Tasmânia, e na Ilha King, com uma pequena população introduzida na Ilha de Kangaroo.


A espécie depende de riachos, rios, lagos, lagoas e zonas úmidas, locais estes, onde os machos se separam das fêmeas após o acasalamento e, também, onde os filhotes nascem.

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Hábitos


Possuem hábitos crepusculares, ou seja, mais próximos da noite, embora possam ser observados também durante o dia. Estão ligados aos ambientes aquáticos para meios de reprodução e locomoção, já que são adaptados tanto para a vida aquática, quanto para a vida em terra.


Uma destas adaptações são as membranas interdigitais retráteis. Em ambiente aquoso elas auxiliam na natação e, em meio terrestre, elas se retraem e dão lugar a garras que se fixam ao solo.


Fotografia mostrando as adaptações do ornitorrinco para a vida na água. (Fonte: Peter Scheunis)


Seguindo nas adaptações chegamos a cauda (semelhante a de castor). Ela possui um formato retangular que os auxilia no equilíbrio e no nado. Além de conferir calor e manter o animal aquecido, devido a densa pelagem que a cobre.


O bico do ornitorrinco (que lembra o de um pato) apresenta células especializadas na percepção de campos elétricos gerados pelos seres vivos. Essa adaptação auxilia durante a caça (para localização das presas).


No hábito alimentar, os ornitorrincos são preferencialmente carnívoros. Sua dieta é composta por crustáceos de água doce (camarões e caranguejos, por exemplo), alguns insetos e invertebrados de corpo alongado (vermes).


Talvez uma de suas principais características seja o fato de ser um dos únicos mamíferos peçonhentos existentes. A toxina é produzida pelos machos, e utilizada durante o período reprodutivo.


Mamíferos peçonhentos, como assim?


Isso mesmo, os ornitorrincos produzem toxinas capazes de causar muita dor, entretanto, não é letal ao ser humano. Vale lembrar que “não ser letal” não significa que seja ineficaz.


As toxinas são um “mix” de diversas substâncias que auxiliam os animais nas atividades de caça, defesa e digestão dos alimentos. Podem conter enzimas, proteínas, aminoácidos e diversos outros compostos.


As toxinas do ornitorrinco são produzidas por glândulas abdominais e inoculadas por meio de esporões localizados nos membros posteriores.




Esporão ligado a glândula de peçonha do ornitorrinco. (Fonte: Stanford.edu)


Foi observado ainda que a peçonha do ornitorrinco pode causar relaxamento muscular; podendo provocar edemas; causando inflamação na região; além de muita dor, devido a liberação de histaminas (substâncias causadoras de inflamações) pelos mastócitos (células produtoras de histaminas).


Vale salientar que, segundo especialistas, essas toxinas são produzidas pelos machos apenas em períodos de acasalamento e sua utilidade está em defender o território de outros machos que disputam as mesmas fêmeas.


Torres e colaboradores (2002) apresentam uma descoberta interessante sobre a composição da toxina do ornitorrinco. Na pesquisa, foi detalhada a presença de um D-aminoácido, fato este que não havia sido documentado em mamíferos.


Os D-aminoácidos são relacionados com microrganismos como, por exemplo, bactérias e leveduras (fungos unicelulares). Entretanto, novos estudos apontam a presença desse composto em animais como: crustáceos, aranhas e na perereca Phyllomedusa sauvagei.


Nos mamíferos, os D-Aminoácidos Livres já haviam sido identificados tendo participação no sistema nervoso central: participando nos processos de transmissão da informação, em manter as células nervosas saudáveis; e estimular crescimento e regeneração muscular.


O efeito específico do D-aminoácido na composição do veneno ainda não é entendido pelos pesquisadores, e não se sabe se há aplicação biotecnológica ou farmacológica. Entretanto, os autores sugerem que ele ajude na degradação de enzimas proteases encontradas no veneno, para que este último, seja armazenado nas glândulas (imagem acima) com maior facilidade, antes de ser liberado.


Reprodução


Os ornitorrincos possuem reprodução sexuada. O período reprodutivo é observado na primavera, onde a fêmea começa a se mostrar mais receptiva ao macho, mudando sua interação que, anteriormente, era de se esquivar.


Após finalizar o acasalamento a fêmea começa a preparar a toca. Posteriormente ela bloqueia com material vegetal, o que dá indícios de proteção contra enchentes, predadores ou uma forma de controlar a temperatura no ninho.


Os ovos se desenvolvem no “útero” da fêmea por cerca de 28 dias e, após serem postos, permanecem em incubação por um período que varia de 10 a 12 dias.


Vale lembrar que são mamíferos que não possuem mamilos, logo, os filhotes irão se alimentar lambendo o leite secretado a partir dos pelos peitorais da mamãe. E é devido a esta peculiaridade, que muitas pessoas dizem que o ornitorrinco fêmea “sua leite”.


Uma curiosidade é que cientistas descobriram, recentemente, que o leite do ornitorrinco possui componentes antimicrobianos e que podem auxiliar no combate às superbactérias.

O fato de o leite “descer” pelo corpo da mãe expõe o mesmo a contaminação por bactérias, sendo assim este animal, durante sua evolução, adaptou essa propriedade antibacteriana no seu leite, sendo uma forma de não contaminar os filhotes.


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Ameaças


As atividades humanas como a agricultura, mineração, urbanização, fragmentação por barragens e capturas acidentais na pesca estão entre as principais ameaças aos ornitorrincos atualmente.


Por conta da sua distribuição em zonas não tão distantes do contato com seres humanos, a redução do seu habitat juntamente com a interação com as pessoas poderão gerar, em um futuro breve, complicações quanto à conservação da espécie.

Para os professores


Você pode abordar este tema em suas aulas de evolução das espécies e como são os critérios para que ocorram as divisões dos grupos em mamíferos, aves, répteis e etc. Desta forma pode-se abordar curiosidades como “por que os ornitorrincos são dos grupos dos mamíferos mesmo não tendo mamilos?” ou ainda “por que os ornitorrincos são mamíferos mesmo sendo ovíparos e peçonhentos?”


Pode também realizar um debate, estimulando os alunos a pensarem em possíveis aplicações futuras dessa peçonha, nesse caso, vale ressaltar que alguns medicamentos que utilizamos hoje são feitos a partir do veneno/peçonha de animais. O Captopril, por exemplo, é um sintético de laboratório, realizado a partir dos estudos do veneno das Jararacas.


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Escrito por: Richard Campos Rangel (@rick.campos.r)

Revisado por: Nicolas Nathan dos Santos e Juliana C. Badari (@jujubadari)



Como citar este texto:


RANGEL, R. C.; SANTOS, N. N.; BADARI, J. C. O que é ornitorrinco?. Potencial Biótico. Disponível em: <https://www.potencialbiotico.com/post/ornitorrinco>. Acesso em:


Referências:


BINO G.; GRANT , T.; KINGSFORD, R. Life history and dynamics of a platypus (Ornithorhynchus anatinus) population: four decades of mark-recapture surveys. Sci Rep, 5, 16073, 2015.

Disponível em: <https://doi.org/10.1038/srep16073>. Acesso em: 13 fevereiro de 2022.


HAWKINS , Margaret: BATTAGLIA , Adam. Breeding behaviour of the platypus (Ornithorhynchus anatinus) in captivity. Australian Journal of Zoology, 57, 28-293, 2009.


SILVA, João JR; SILVA, José Armando L. da. D-aminoácidos em biologia: mais do que se julgado. Química Nova , v. 32, n. 2, pág. 554-561, 2009


TORRES, Allan M. et al. D-amino acid residue in the C-type natriuretic peptide from the venom of the mammal, Ornithorhynchus anatinus, the Australian platypus. Febs Letters, 524, 1-3, 172-176, 2002.


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