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O que é higiene do ambiente e como ela é feita?

Atualizado: 18 de mai. de 2023

A higiene do ambiente é o conjunto de ações voltadas para o controle de agentes biológicos, visando os cuidados sanitários e a limpeza de um determinado local. Esse controle é feito através de 4 processos principais: limpeza, sanitização, desinfecção e esterilização. Mas qual é a diferença entre eles? Venha descobrir!

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O que é higiene do ambiente?


A higiene do ambiente (ou higiene ambiental), resumidamente, é o conjunto de ações voltadas aos cuidados sanitários e limpeza de um determinado ambiente. Através da higienização de espaços, objetos e ou pessoas.

Ela visa a eliminação ou redução de agentes causadores de doenças, sejam eles agentes químicos, físicos ou biológicos.

O objetivo é preservar a saúde das pessoas que habitam ou trabalham em determinado local. Os processos, ou seja, os métodos para atingir tal objetivo são variados e diferem entre si.

Aqui falaremos dos principais processos de higiene ambiental voltados ao controle de agentes biológicos, e as diferenças entre processos.

Quem são os agentes biológicos?


Agentes biológicos são todas as espécies de bactérias, vírus, fungos, parasitas (e seus ovos), entre outros microrganismos que podem trazer risco à saúde humana causando doenças.

Os agentes biológicos também são conhecidos como microrganismos, micróbios e germes.

Eles são encontrados em vários locais, tais como: água, solo, alimentos, pele, pisos, paredes, objetos e outras superfícies. O controle deles é feito a partir de técnicas, produtos e processos de higiene do ambiente.

Processos para higiene do ambiente


Cada processo apresenta diferentes resultados no controle dos agentes biológicos, pois utilizam técnicas e produtos variados. Os processos estão organizados por nível de higienização, de forma crescente.

Vale ressaltar que na realização dos processos de higienização, logo apresentados, o uso de EPI (Equipamento de proteção individual) é necessário para se garantir a segurança de quem realiza a higienização, a manipulação dos produtos químicos e a não contaminação da pessoa pelos agentes biológicos.

Exemplos de EPI: luvas, óculos de proteção, máscaras, botas (galochas), aventais, jalecos, viseiras, entre outros.

Limpeza:


Limpeza, é a remoção de sujeira visível, ou seja, de detritos e substâncias orgânicas das superfícies, isso não elimina os microrganismos, mas reduz seu número por remover parte da sujeira que serve de alimento e esconderijo aos mesmos.

Exemplos de sujeiras (também chamadas de sujidades) são: poeira, pegadas, manchas, digitais e matéria orgânica (como gordura, pelos e restos de comida).

Os métodos mais comuns de limpeza se dão por meio de escovação, aspiração ou lavagem. Usando-se de produtos como os sabões e detergentes, e em casos mais específicos, desengordurantes e limpa-vidros.

A limpeza é o processo mais presente e comum no cotidiano das pessoas, mas ela não deve ser subestimada.

Ela é a base dos demais processos de higienização, pois é ela que removerá as sujeiras possibilitando o melhor desempenho dos outros processos. Assim, uma higiene do ambiente adequada inicia-se com uma limpeza bem feita.

Pessoa realizando limpeza de janela com o uso de alguns tipos de EPI (luvas, mascara e óculos de proteção).
Pessoa realizando limpeza com o uso de alguns tipos de EPI (Fonte: Unsplash).

Sanitização:


A sanitização visa reduzir a quantidade de microrganismos, principalmente os causadores de doenças, presentes em uma superfície. Esse processo não elimina 100% dos micróbios, mas reduz consideravelmente seu número para níveis seguros.

A sanitização é importante não apenas para preservar a saúde, mas também na conservação dos alimentos. Pois reduz também o número de micróbios que podem estragar os alimentos.

É por isso que se recomenda, fortemente, sanitizar corretamente os objetos que terão contato com os alimentos e os próprios alimentos.

O principal produto sanitizante usado é a água sanitária (chamada também de hipoclorito de sódio ou cândida). Usada, geralmente, diluída em água para higienizar pisos, objetos e alguns alimentos. Para os alimentos ela é chamada de desinfetante ou sanitizante de verduras, frutas e legumes, sendo vendida em supermercados.

Alguns dos outros sanitizantes são: álcool etílico hidratado 70º INPM (o famoso álcool 70%), iodo, iodofor, ácido peracético, água oxigenada (peróxido de hidrogênio), quaternário de amônio e desinfetantes.

Aviso: Muitas pessoas usam vinagre como sanitizante em alimentos, mas estudos indicam que ele tem baixa eficiência de sanitização. O uso do vinagre é indicado como produto de limpeza, pois apresenta eficácia na remoção de sujeiras, principalmente quando usado conjuntamente com bicarbonato de sódio.


Como o sabão e álcool em gel matam o coronavírus? Assista este vídeo para aprender mais! (Legenda disponível em português).




Desinfecção:


A desinfecção é a eliminação de 99,99% dos microrganismos. O objetivo da desinfecção é deixar o ambiente totalmente livre da presença de micróbios causadores de doenças, entretanto, não elimina os esporos bacterianos que serão explicados no próximo processo.

Os produtos utilizados para desinfecção são os mesmos usados para sanitização.

A principal diferença entre sanitizar e desinfetar é a concentração dos produtos usados e o tempo de aplicação/exposição da superfície ao produto. Lembrando que sanitização visa redução enquanto a desinfecção a eliminação dos micróbios, logo, a concentração e o tempo são maiores para esta última.

A desinfeção é de vital importância para os setores alimentícios (como restaurantes e indústrias), ambientes hospitalares e laboratoriais.

Esterilização:


Os esporos bacterianos são estruturas de resistência que algumas espécies de bactérias produzem para se auto preservar quando o ambiente está desfavorável à sua sobrevivência.

O esporo é basicamente uma “sala blindada” onde a bactéria se tranca e espera “dormindo” que o ambiente volte a ser favorável a sua sobrevivência. Quando tudo estiver seguro ela “desperta” e retoma seu crescimento normalmente e se espalha pelo ambiente.

Devido a essa resistência são poucos os produtos e técnicas capazes de eliminar os esporos. É aí que entra a esterilização que é capaz de eliminar 100% dos microrganismos, incluindo os esporos, de uma superfície ou objeto.

A esterilização é muito importante em ambientes hospitalares, laboratoriais e em algumas indústrias, pois não só garante a segurança de quem trabalha ou frequenta estes lugares, como evita a contaminação de ambientes externos.

Exemplo: um laboratório que trabalha desenvolvendo vacinas, ao esterilizar os ambientes de trabalho, garante a segurança dos seus funcionários, da qualidade da vacina e evita contaminações dos ambientes fora do laboratório.

Os produtos químicos usados na esterilização (de superfícies e objetos) são o glutaraldeído e óxido de etileno. Ambos os produtos apresentam certo grau de toxicidade (perigo para saúde humana) e são poluentes, por isso vêm sendo substituídos por técnicas menos agressivas como: esterilização por calor e radioesterilização.

A esterilização por calor é feita em máquinas chamadas autoclaves, essas máquinas são “panelas de pressão”. Basicamente os objetos são submetidos a altas temperaturas e pressão que, conjuntamente ao vapor d’água, atuam matando os micróbios.


Modelos diversos de autoclaves
Modelos de autoclaves (Fonte: Wikimedia Commons).

A radioesterilização utiliza-se de radiação ionizante (um tipo de radiação) para matar os micróbios. Os objetos são postos em máquinas fechadas que emitem doses específicas de radiação, matando os microrganismos e não deixando os objetos radioativos para as pessoas.

Aviso: Diferente do que muitos acreditam, mergulhar ou jogar objetos em água fervente não esteriliza objetos e alimentos.

A água fervente (ou seja a 100ºC) mata apenas 70% dos micróbios, deixando vivos os esporos bacterianos que são resistentes à alta temperatura. Por isso, os objetos ou alimentos em uma panela de pressão de 15 a 20 minutos garante uma utilização. Este método “imita” o que ocorre nas autoclaves.

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Boas práticas de higiene


Vale ressaltar que para se ter uma boa higiene do ambiente não basta apenas aplicar corretamente os processos, deve-se também adotar boas práticas de higiene como realizar corretamente a higiene pessoal e cuidar dos espaços que frequenta ou vive (como não jogar lixo no chão e manter a limpeza e organização em dia). Isto contribui para a segurança e saúde de todos.

Conheça mais sobre boas práticas e procedimentos de higienização ambiental neste Manual.

Agora que você conhece mais sobre a higiene do ambiente e sobre seus processos, você consegue imaginar como ela impacta em nossa saúde e na saúde coletiva?

Quando pensamos sua relevância para frear o avanço de microrganismos, doenças e pandemias.

E como ela é importante para garantirmos a qualidade e segurança dos processamentos de alimentos e fabricação de medicamentos e vacinas pela indústria? Ou até mesmo no preparo de refeições em nossas casas?

Isso nos mostra como a higienização afeta também a economia diretamente (através da venda de produtos e serviços de higienização) e indiretamente (garantindo a saúde coletiva e impedindo doenças de se alastrarem, o que, consequentemente, pode provocar quarentena e lockdown.

Como exemplo podemos citar a pandemia de COVID-19 causada pelo coronavírus SARS-CoV-2. Com o avanço da doença pelo mundo, alguns setores e hábitos de consumo foram afetados.

No Brasil podemos citar o crescimento que o setor de produtos de limpeza sofreu durante o ano de 2021. Uma vez que houve maior demanda por tais produtos para realização da higienização de residências, comércio, empresas, transportes públicos, como medida de prevenção da doença.

E para hábitos de consumo podemos citar os impactos decorrentes de medidas de isolamento social, adotadas como forma de frear o avanço da doença. Dados divulgados em 2020 pela Kantar, empresa global que pesquisa sobre o mercado de bens e de consumo, mostram que no Brasil houve:

Crescimento, sobretudo nas categorias de alimentos saudáveis (frutas, verduras, legumes) e produtos de limpeza (água sanitária, álcool). A ideia de estocar itens de necessidade básica impactou diretamente os setores de alimentos, higiene, limpeza e bebidas”.

Para ver mais dados sobre esta publicação, leia: Brasil é o segundo país mais preocupado com a pandemia de Covid-19.


Do micro para sala de aula


Para auxiliar você professor a planejar sua aula, damos exemplos de habilidades que podem ser desenvolvidas com seus alunos baseadas na BNCC (Base Nacional Comum Curricular), a partir do uso deste texto como material de apoio.


Com os objetivos de promover o conhecimento acerca de microrganismos, ação microbiana, fenômenos naturais e impactos ambientais, saúde individual e coletiva, programas e indicadores de saúde pública, nós indicamos algumas das seguintes habilidades:


Ensino fundamental:


(EF04CI08) “Propor, a partir do conhecimento das formas de transmissão de alguns microrganismos (vírus, bactérias e protozoários), atitudes e medidas adequadas para prevenção de doenças a eles associadas”.


(EF07CI10) “Argumentar sobre a importância da vacinação para a saúde pública, com base em informações sobre a maneira como a vacina atua no organismo e o papel histórico da vacinação para a manutenção da saúde individual e coletiva e para a erradicação de doenças”.


Ensino médio:


(EM13CNT303) “Interpretar textos de divulgação científica que tratem de temáticas das Ciências da Natureza, disponíveis em diferentes mídias, considerando a apresentação dos dados, tanto na forma de textos como em equações, gráficos e/ou tabelas, a consistência dos argumentos e a coerência das conclusões, visando construir estratégias de seleção de fontes confiáveis de informações”.


Deixamos alguns exemplos de recursos didáticos que usam os microrganismos como tema e se correlacionam com os objetivos acima citados.


O artigo “Como ensinar microbiologia, com ou sem laboratório” postado em Nova Escola, traz uma listagem de experimentos que podem ser feitos em sala de aula visando a observação de microrganismos. Estas práticas podem ser correlacionadas ao processo de higiene do ambiente.


O artigo “Microrganismos e prevenção" postado em Instituto Claro, aborda mais sobre higiene pessoal.


Você tem exemplos e sugestões de como abordar e trabalhar a saúde em sala de aula? Então deixe aqui embaixo nos comentários!



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Escrito por: Nicolas Nathan dos Santos

Revisado por: Érika Freitas Pinheiro


Como citar este texto:


SANTOS, N. N.; PINHEIRO, E. F. O que é higiene do ambiente e como ela é feita?. Potencial Biótico. Disponível em: <https://www.potencialbiotico.com/post/higienedoambiente>. Acesso em:


Referências:


CARVALHAES, F.G.; DE ANDRADE, L.A. Fermentação à Brasileira: explore o universo dos fermentados com receitas e ingredientes nacionais. São Paulo: Editora Melhoramentos, 2020, 320 p.

DE LIMA, L.N.C.; DOS SANTOS, R.S.; WAUGHON, T.G.M.; FIGUEIREDO, E.L. Estudo da eficiência de diferentes sanitizantes em alfaces (Lactuca sativa L.) comercializadas em estabelecimentos em Castanhal, Pará. Revista Brasileira de Tecnologia Agroindustrial, v. 14, n. 01, p. 3161-3177, 2020.

IPEN - Instituto de Pesquisas Energéticas e Nucleares. Radioesterilização. Disponível em: <https://www.ipen.br/portal_por/portal/interna.php?secao_id=741> Acesso em: 29 de abril de 2021.

MENEGARO, A. et al. Sanitizantes: concentrações e aplicabilidade na indústria de alimentos. Scientia Agraria Paranaensis, v. 15, n. 2, p. 171-174, 2016.

SILVA, G.; DUTRA, P. R. S.; CADIMA, I. M. Higiene na Indústria de Alimentos. Recife: EDUFRPE, 2010, 134 p.


SOUZA, M. Água quente elimina mesmo todas as bactérias? Entenda a química da fervura. 2020. Tilt uol. Disponível em: <https://www.uol.com.br/tilt/noticias/redacao/2020/03/07/agua-quente-elimina-mesmo-todas-as-bacterias-entenda-a-quimica-da-fervura.htm>. Acesso em: 24 de maio de 2021.


TIMENETSKY, J. Controle de microrganismos. Disponível em: <https://microbiologia.icb.usp.br/cultura-e-extensao/textos-de-divulgacao/microbiologia-geral/controle-de-microrganismos/> Acesso em: 29 de abril de 2021.


 

Nicolas Nathan dos Santos

Revisor

Biólogo Mestre em Biodiversidade Vegetal e Meio Ambiente e Especialista em Arborização Urbana. E ávido espectador da magia do mundo (real e imaginário).




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