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Animais marinhos: como prevenir acidentes?

Atualizado: 10 de out. de 2022

Os animais marinhos chamam muita atenção pela sua beleza exuberante, mas devemos ter cautela. Neste artigo, você irá conhecer um pouco mais sobre os acidentes que envolvem os animais marinhos, além da importância de se compreender mais sobre o ambiente marinho. Confira!

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Importância dos animais marinhos

Os animais marinhos possuem uma grande importância socioambiental.

Em relação à importância ecológica, temos que alguns animais marinhos são responsáveis pela produção de oxigênio, como é o caso dos corais e algas, outros fazem o controle de populações, como os ouriços e outros equinodermos em relação as algas, os dos tubarões (predadores de topo de cadeia alimentar) em relação à outros animais.

Muitos animais marinhos também possuem uma importância econômica, como é o caso dos peixes, crustáceos e moluscos, consumidos na alimentação humana.

Dessa maneira, devemos ser conscientes e praticar atos em prol da conservação da vida marinha, explorando os recursos naturais de forma sustentável para que as gerações futuras também possam utilizá-los.

Conheça mais sobre a Zona Econômica Exclusiva do Brasil: O que é a Amazônia Azul?

Como ocorrem os acidentes com animais marinhos?


Antes de tudo, é bom termos a compreensão de que as praias, mangues e oceanos são os habitats naturais dos animais marinhos. Dessa maneira, ao adentrarmos esses ambientes, saiba que estamos invadindo a casa deles.


Os animais marinhos possuem inúmeros comportamentos e, muitas vezes, imprevisíveis. No caso de mordidas, por exemplo, eles reagem dessa forma por estarem se sentindo ameaçados, como ocorre com tubarões e moreias. Ou, por falta de atenção, podemos pisar em um ouriço-do-mar e alguns espinhos perfurarem nossa pele.


Por conta disso, para prevenir acidentes, sempre devemos ter atenção ao irmos para a praia, e/ou realizarmos mergulhos, haja vista que estamos entrando em um habitat totalmente diferente do nosso e, caso encontre algum animal, mantenha a devida distância.


O médico dermatologista Vidal Haddad Júnior, que realiza inúmeras pesquisas sobre os temas “animais marinhos e fluviais peçonhentos, venenosos e traumatizantes” e “aspectos clínicos e terapêuticos de acidentes por animais peçonhentos”, apontou em um de seus estudos que os banhistas constituem mais de 90% das vítimas de acidentes com animais marinhos.


Quais animais marinhos podem causar acidentes?


O médico Vidal Haddad, em outro estudo, mostra alguns dados referentes a quais animais marinhos causam mais acidentes, sendo: os ouriços-do-mar, responsáveis por cerca de 50% dos acidentes, seguido dos cnidários (águas-vivas e caravelas) com 25%, e peixes venenosos (bagres, arraias e peixes-escorpião), também correspondendo a 25% dos acidentes.


Conheça esses e outros animais marinhos comuns em nosso litoral que podem causar acidentes:


Esponjas marinhas


As esponjas parecem ser animais simples (quanto à morfologia). Entretanto, algumas espécies são capazes de produzir toxinas que, ao entrar em contato com a pele, podem causar vermelhidão, coceira, entre outros sintomas, como é o caso dos organismos do gênero Tedania.


A figura 1 apresenta a esponja marinha da espécie Tedania ignis, conhecida popularmente como esponja-de-fogo, com coloração alaranjada. Fonte: Jéssica Prata (2021).
Figura 1. Esponja da espécie Tedania ignis, conhecida popularmente como esponja-de-fogo. Fonte: Jéssica Prata (2021).

Conheça mais sobre as esponjas marinhas: O que são esponjas marinhas e qual a sua importância?


Cnidários


Os cnidários são bem conhecidos pelos acidentes com as caravelas-portuguesas e águas-vivas. Na maioria dos casos, os banhistas não conseguem enxergar o animal e, em muitas ocasiões, as águas-vivas são confundidas com sacolas plásticas. Por esse mesmo motivo, as tartarugas marinhas ingerem o plástico e morrem; logo, atentem para o descarte correto do plástico!


A figura 2 apresenta uma queimadura causada pelo contato da pele com os tentáculos da água-viva, um dos animais marinhos que podem causar acidentes. Na foto, há várias queimaduras em tom avermelhado na perna do paciente. Fonte: Revista Saúde Fortaleza.
Figura 2. Queimadura causada pelo contato da pele com os tentáculos da água-viva. Fonte: Revista Saúde Fortaleza.

Além das águas-vivas e caravelas, há muitos casos de acidentes com corais. Esses animais marinhos são muito confundidos com rochas; entretanto, corais não são rochas/pedras. Tome muito cuidado ao adentrar nos recifes de corais, para não correr o risco de se cortar e não prejudicar os corais e outros animais marinhos.


A figura 3 apresenta colônias de corais da espécie Siderastrea stellata (coloração rósea), na Praia das Trincheiras, município de Baía da Traição, Paraíba. Fonte: Pontes Filho (2022).
Figura 3. Colônias de corais da espécie Siderastrea stellata, na Praia das Trincheiras, município de Baía da Traição, Paraíba. Fonte: Pontes Filho (2022).

Geralmente, os casos de acidentes com cnidários crescem consideravelmente no verão (entre dezembro e março), período em que há um grande aumento das populações de águas-vivas e caravelas.


O maior animal marinho do mundo pode causar acidentes! Conheça: Os sifonóforos são os maiores animais do planeta?


Moluscos


Muitas pessoas também se acidentam com as conchas de moluscos bivalves, ostras e mexilhões, que encontramos nas praias.


A borda de suas conchas são bem afiadas e, caso pise descalço ou toque sem a devida proteção, podem causar cortes profundos. Esses animais podem viver aderidos no substrato (superfície do fundo dos oceanos e praias) e agregados (como é o caso dos mexilhões).


A figura 4 apresenta inúmeros mexilhões aderidos em madeira, em uma praia, formando uma colônia (aglomerado de mexilhões unidos); juntos, esses animais marinhos causam muitos acidentes. Fonte: Portal de Notícias.
Figura 4. Mexilhões formando uma colônia. Fonte: Portal de Notícias.

Ouriços-do-mar


Os ouriços-do-mar são animais marinhos que possuem centenas de espinhos espalhados pelo corpo. A espécie da figura abaixo, Echinometra lucunter, é a mais comum no litoral brasileiro, os organismos vivem agregados, e muitas pessoas se acidentam ao pisar neles. Nesses casos, os espinhos podem ficar aderidos na pele, necessitando de cuidados especiais para serem retirados sem causarem mais ferimentos.


A espécie supracitada não produz e nem libera toxinas através dos espinhos; mas, pelo fato do ouriço sempre estar em contato com o substrato, pode haver bactérias nos espinhos, o que pode causar infecções no local, além dos processos inflamatórios leves comuns (vermelhidão e inchaço).


Entretanto, algumas outras espécies de ouriços-do-mar são capazes de produzir peçonha, que podem causar prejuízos ainda maiores, como o choque anafilático, a depender do grau de sensibilidade à toxina, como é o caso dos ouriços do gênero Diadema, também presentes no litoral brasileiro; uma de suas características mais marcantes são os espinhos em forma de agulha que podem medir até 30 cm de comprimento.


Na figura 5A, é apresentado o ouriço-do-mar da espécie Echinometra lucunter, também conhecido como ouriço-do-mar-preto (pois possui essa coloração em todo o corpo) ou pinaúna, a depender da região geográfica do Brasil; a figura 5B mostra uma população de Echinometra lucunter (agregados, próximos uns dos outros) em recife de arenito, na Praia de Tambaba, município do Conde, Paraíba. Esses animais marinhos causam muitos acidentes, pois seus espinhos tem a capacidade de furar a pele. Fonte: Pontes Filho (2022).
Figura 5. Em A, ouriço-do-mar da espécie Echinometra lucunter, também conhecido como ouriço-do-mar-preto ou pinaúna, a depender da região geográfica do Brasil; em B, população de Echinometra lucunter em recife de arenito, na Praia de Tambaba, município do Conde, Paraíba. Fonte: Pontes Filho (2022).

Peixes


Os peixes são animais formidáveis, que além do seu papel biológico na natureza também servem como fonte de alimento para inúmeros animais, incluindo os humanos. Entretanto, alguns peixes podem ser peçonhentos (como o peixe-aranha, peixe-leão, bagres e raias), enquanto que outros podem atacar com fortes mordidas para se defenderem (como as moreias e tubarões).


Os peixes peçonhentos (peixe-aranha e peixe-leão) possuem espinhos pelo corpo (nas regiões das nadadeiras) que são capazes de inocular as toxinas; os bagres realizam essa ação por meio de um ferrão e, nas raias, o ferrão é serrilhado revestido por uma pele repleta de glândulas de veneno (que se rompem ao entrar em contato com o alvo), localizado em suas caudas.


As toxinas desses animais marinhos podem causar náuseas, tonturas, dor intensa, febre persistente, fraqueza muscular, respiração ofegante e dor de cabeça.


As moreias costumam ficar em tocas presentes nos recifes de corais; não são peixes agressivos, mas possuem um ataque agressivo caso se sintam ameaçadas, e sua mordida pode causar processos infecciosos devido à presença de bactérias em seus dentes.


Aprenda mais sobre as moreias assistindo o seguinte vídeo:



Os tubarões são animais marinhos que possuem esse mesmo comportamento no quesito ataque, e sua mordida é muito mais potente, podendo dilacerar um ou mais membros. Portanto, reiteramos o cuidado ao adentrar nesses ambientes.



O que fazer em casos de acidentes com animais marinhos?


Em todos os casos de acidentes com animais marinhos, deve-se ter o máximo de cuidado ao aplicar os primeiros socorros.


Primeiramente, é importante observar a gravidade do ferimento antes de realizar alguma ação que possa ser indevida. Imagine, por exemplo, que um espinho de ouriço-do-mar perfurou uma camada vascularizada da pele; não podemos simplesmente retirar o espinho sem antes desinfetar o local (assepsia com sabão neutro, de preferência).


Nos casos de acidentes com esponjas marinhas, o ideal é esperar os sintomas desaparecerem; mas, em casos de reação alérgica mais grave, procurar um médico.


Quanto aos acidentes com corais, é ideal lavar a região com sabão neutro para evitar possíveis infecções por bactérias oportunistas. Em relação aos demais cnidários (caravelas e águas-vivas), deve-se:


1. Remover os tentáculos com luvas ou pinça higienizada, sem esfregar a região do ferimento;


2. Lavar com água do mar (deixar a água escorrer, sem esfregar). Não lavar com água doce!!!


3. Aplicar bolsas de gelo;


4. Utilizar vinagre para “inibir” o veneno. Não use álcool ou urina!!!


5. Procurar auxílio médico.


Para os acidentes com moreias, é importante lavar a ferida com água e sabão neutro, além de comprimir a região de sangramento com uma compressa e fazer banhos de água quente no local por 30-90 minutos. Não use torniquete, e procure auxílio médico.


No caso de tubarões, entrar em contato com o resgate com extrema urgência, ligando para o Corpo de Bombeiros (193) e para o SAMU (192), para ser encaminhado ao hospital.


Para acidentes ocasionados por peixes peçonhentos (bagres, peixe-aranha e peixe-leão), é indicado mergulhar o ferimento em água quente por 30-90 minutos, e procurar imediatamente um hospital.


O Centro de Biologia Marinha (CEBIMAR) da Universidade de São Paulo elaborou uma cartilha que informa sobre alguns animais, seus comportamentos, como prevenir acidentes e atitudes que devemos realizar em caso de acidentes com animais marinhos.



  • Reafirmamos que a melhor maneira de prevenir acidentes com animais marinhos é respeitando a devida distância para com estes!!


Animais marinhos em estudos biotecnológicos


As praias, mares e oceanos são habitados por inúmeras espécies que compõem a fauna e flora. Dentre todos os animais marinhos, algumas espécies são peçonhentas, como mencionado anteriormente. Apesar desses animais serem considerados perigosos, eles possuem uma grande importância para a biotecnologia.


Isso porque muitos pesquisadores realizam estudos a partir de compostos extraídos de das toxinas desses animais, como as enzimas. Dependendo do grau de toxicidade, esses compostos podem ser utilizados para a elaboração de produtos de alto valor em aplicações industriais, biotecnológicas e biomédicas.


O pesquisador Jean Morlighem, em 2018, finalizou sua tese de doutorado baseada em uma pesquisa realizada com toxinas da espécie Protopalythoa variabilis, uma espécie de cnidário que pertence à mesma classe dos corais. Após uma série de estudos e procedimentos, ele confirmou que tais toxinas podem ser potencializadas para a produção de insumos biotecnológicos e biofarmacêuticos.


Além dos cnidários, muitos outros animais marinhos peçonhentos também são utilizados para estudos médicos, biológicos, biotecnológicos e biofarmacêuticos.



Como aplicar o tema “acidentes com animais marinhos” na sala de aula?


Essa temática é muito interessante, tendo em vista que muitos discentes possuem muita curiosidade ao irem às praias e visualizarem animais mortos na areia da praia. Entretanto, muitos desses animais podem ter sido levados pelas ondas e ainda estarem vivos.


Além disso, os cnidários possuem a capacidade de liberar toxinas pelos tentáculos mesmo após 24 horas fora da água!


A Base Nacional Comum Curricular (BNCC) apresenta algumas habilidades interessantes e de suma importância, na qual pode-se trabalhar os “acidentes com animais marinhos” (mas, não são exclusivos para esse tema), incluindo a compreensão dos hábitos desses animais na natureza. São elas:


  • (EF02CI04) Descrever características de plantas e animais (tamanho, forma, cor, fase da vida, local onde se desenvolvem etc.) que fazem parte de seu cotidiano e relacioná-las ao ambiente em que vivem;


  • (EF03CI04) Identificar características sobre o modo de vida (o que comem, como se reproduzem, como se deslocam etc.) dos animais mais comuns no ambiente próximo;


  • (EF04CI08) Propor, a partir do conhecimento das formas de transmissão de alguns microrganismos (vírus, bactérias e protozoários), atitudes e medidas adequadas para prevenção de doenças a eles associadas;


  • (EF09CI12) Justificar a importância das unidades de conservação para a preservação da biodiversidade e do patrimônio nacional, considerando os diferentes tipos de unidades (parques, reservas e florestas nacionais), as populações humanas e as atividades a eles relacionados.


Dessa maneira, você, professor, pode elaborar cartilhas de educação ambiental, métodos preventivos e primeiros socorros em caso de acidentes com animais marinhos, juntamente com os discentes, estimulando-os à pesquisa, à investigação e ao respeito para com os animais marinhos e toda a biodiversidade.




Você tem mais exemplos e sugestões de como abordar e trabalhar os acidentes com animais marinhos em sala de aula? Então deixe aqui embaixo nos comentários!


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Escrito por: Manoel Celestino de Pontes Filho (@manoelpontes_)

Revisado por: Nicolas Nathan dos Santos


Como citar este texto:


PONTES FILHO, M. C.; SANTOS, N. N. Animais marinhos: como prevenir acidentes?. Potencial Biótico. Disponível em: <https://www.potencialbiotico.com/post/animaismarinhos>

Acesso em:


Referências bibliográficas:


Assessoria de Comunicação e Imprensa da Universidade Estadual Paulista (UNESP). Acidentes com animais aquáticos: professor da Unesp alerta para aumento de incidência no verão. 2016. Disponível em: <https://www2.unesp.br/portal#!/noticia/20467/acidentes-com-animais-aquaticos/>. Acesso: set. 2022.


HADDAD JÚNIOR, V. Animais aquáticos de importância médica no Brasil. Revista da Sociedade Brasileira de Medicina Tropical, v. 36, p. 591-597, 2003.


HADDAD JÚNIOR, V. Atlas de animais aquáticos perigosos do Brasil: guia médico de diagnóstico e tratamento de acidentes. São Paulo: Rocca, 2000.


HADDAD JÚNIOR, V.; BARREIROS, J. P. Ficha técnica. Animais marinhos dos Açores: Perigosos e Venenosos. ISBN 978-972-8864-20-0, 1ª ed., 2007.



 

Manoel Pontes

Redator

Graduado em Ciências Biológicas (licenciatura) pela UFPB. Mestrando em Ecologia e Monitoramento Ambiental (PPGEMA/UFPB). Atua em atividades de ensino e extensão.


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